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Pelotas, História e o Doce

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    Pelotas

    Município brasileiro da região sul do estado do Rio Grande do Sul. Considerado uma das capitais regionais do Brasil, possui uma população de 327.778 habitantes e é a terceira cidade mais populosa do estado.
    Está localizado às margens do Canal São Gonçalo que liga as Lagoas dos Patos e Mirim, as maiores do Brasil, no estado do Rio Grande do Sul, no extremo sul do Brasil, ocupando uma área de 1.609 km² e com cerca de 92% da população total residindo na zona urbana do município. Pelotas está localizada a 250 quilômetros de Porto Alegre, a capital do estado.

    Na história econômica do município destaca-se a produção do charque que era enviado para todo o Brasil, e fez a riqueza de Pelotas em tempos passados.
    O município conta com cinco instituições de ensino superior, quatro grandes escolas técnicas, três teatros, uma biblioteca pública, vinte e três museus, dois jornais de circulação diária, três emissoras de televisão, um aeroporto e um porto flúvio-lacustre localizado às margens do Canal São Gonçalo.

    Tanto a zona urbana quanto a rural de Pelotas conta com monumentos, paisagens e vistas belíssimas, que levaram a televisão brasileira a escolher o município já por duas vezes como cenário para suas produções: "Incidente em Antares", cuja locação foi feita na zona do porto; e "A Casa das Sete Mulheres", filmada numa charqueada na zona rural.

    Em Pelotas é realizada todos os anos a tradicional Fenadoce - Feira Nacional do Doce -, festa de eventos ancorada pelos famosos doces de origem portuguesa e que fazem a fama de Pelotas.

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    História de Pelotas

    A história do município começa em junho de 1758, através da doação que Gomes Freire de Andrade, Conde de Bobadela, fez ao Coronel Thomáz Luiz Osório, das terras que ficavam às margens da Lagoa dos Patos. Em 1763, fugindo da invasão espanhola, muitos habitantes da Vila de Rio Grande buscaram refúgio nas terras pertencentes à Thomáz Luiz Osório. Mais tarde, vieram também os retirantes da Colônia do Sacramento, entregue pelos portugueses aos espanhóis em 1777.

    Em 1780, instala-se em Pelotas o charqueador português José Pinto Martins. A prosperidade do estabelecimento estimulou a criação de outras charqueadas e o crescimento da região, dando origem à povoação que demarcaria o início do município de Pelotas. Com o sucesso desta indústria, os charqueadores, dispondo de duas estações amenas, construíam palacetes para suas habitações e promoviam a cultura e a educação, no ambiente urbano, exemplificado pela inauguração do Teatro Sete de Abril, em 1831, quatro anos antes de Pelotas ser elevada à condição de cidade.

    A Freguesia de São Francisco de Paula, fundada em 7 de Julho de 1812 por iniciativa do padre Pedro Pereira de Mesquita, foi elevada à categoria de Vila em 7 de abril de 1832. Três anos depois, em 1835, a Vila é elevada à condição de cidade, com o nome de Pelotas.

    Antigo engenho de arroz, localizado nas proximidades do Canal São Gonçalo.
    Nos primeiros anos do século XX, o progresso foi impulsionado pelo Banco Pelotense, fundado em 1906 por investidores locais. Sua liquidação, em 1931, foi nefasta para a economia local.

    O nome do município, "Pelotas", teve origem nas embarcações de varas de corticeira forradas de couro, usadas para a travessia dos rios na época das charqueadas.

    A Lei Complementar Estadual número 9184, de 1990, criou a Aglomeração Urbana de Pelotas, que em 2001 passou a se denominar Aglomeração Urbana de Pelotas e Rio Grande, e em 2002, Aglomeração Urbana do Sul. Esta caracteriza-se por proporcionar uma forte integração entre os municípios que a constituem e é o embrião de uma futura região metropolitana. Integram-na os municípios de Arroio do Padre, Capão do Leão, Pelotas, Rio Grande e São José do Norte, que totalizam uma população aproximada de 600.000 habitantes.

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    Histórico dos Doces de Pelotas

    É difícil definir quando exatamente os doces surgiram em Pelotas. Sabe−se que sua origem teve influência de Portugal, país onde era intensa a produção de tais guloseimas. Os doces foram introduzidos pelos lusos por volta do início do século XIX e em Pelotas aproximadamente na década de 1860, quando começa o período de apogeu do município de Pelotas. De 1860 a 1890 os investimentos dos charqueadores foram intensos em atividades de cunho cultural que caracterizaram, durante anos, Pelotas como a cidade mais aristocrática do Estado do Rio Grande do Sul (RS).

    Melhores condições para a dedicação ao lazer dos cidadãos pelotenses eram provenientes principalmente pelo acúmulo de capital das atividades saladeiris (charqueadas) as quais ocorriam apenas entre os meses de novembro a abril. O constante contato com a Europa através da exportação do charque, cujos navios transportadores retornavam com os mais variados produtos e objetos, permitiu que a sociedade pelotense desenvolvesse práticas semelhantes àquelas que estavam presentes apenas nos modernos países europeus. Alguns estudos históricos comprovaram que, antes do ano de 1860, já havia indícios de salas de leitura e publicação de livros e jornais na cidade.

    Os saraus, companhias teatrais e as recitas musicais, entre outras atividades, tinham programações praticamente diárias no interior da arquitetura grandiosa de prédios e casarões. Os doces eram servidos nos intervalos destes saraus envolvidos em papéis de seda rendados e franjados. Sua produção era realizada de maneira caseira pelas mulheres e suas mucamas. Como existiam rigorosas regras de etiqueta na época, muitas atividades não poderiam ser desenvolvidas ao ar livre; as mulheres passaram então a praticar hábitos caseiros, com reconhecido destaque na culinária, bordado, música e pintura. Este fato, portanto, contribuiu para a intensa produção e aprimoramento dos doces em Pelotas.

    O açúcar utilizado nas mais variadas sobremesas, como os camafeus, bem−casados, fios−de−ovos, papos−de−anjo, ninhos e os pastéis de Santa Clara, era proveniente da região Nordeste do Brasil em troca do charque. Temerosas pela escassez deste ingrediente essencial, as escravas passaram a diminuir a quantidade de açúcar na produção dos doces, transformação a qual trouxe um diferencial que agradou muito ao paladar dos consumidores da época.

    Outro fato que também contribuiu para a grande produção e consumo de doces em Pelotas foram as próprias charqueadas. Conforme [Magalhães, 2001], a sociedade pelotense procurou abrandar sua imagem rústica saladeiril através da adoção de requintados costumes, constantes atividades intelectuais e imponentes construções. Neste contexto é que o doce se insere, embora não como protagonista principal, pois a economia estava baseada no trabalho dos negros, na punição do escravo, na degola do boi e nas mantas de carne sob o calor do sol − atividades tipicamente das charqueadas. Enfim, Pelotas estava imersa no ciclo do sal, onde os rituais de castigo e de brutalidade eram amenizados pela produção de poesias rimadas, cortesias, amabilidades, saudações solenes e dedicatórias rebuscadas e veladamente sensuais.

    Entre diversos fatores, o fim da escravidão auxiliou no declínio das charqueadas locais assim como o surgimento de uma maior concorrência devido a produção de charque em outros municípios do RS. O surgimento dos frigoríficos que dispensavam o processo de salga da carne acabaram fornecendo subsídios para uma forte projeção nacional dos doces pelotenses. A partir da década de 1920, passou−se a divulgar comercialmente em todo o Brasil a tradição doceira que até então estava restrita ao interior dos casarões.
    Aproximadamente nesta mesma época, os imigrantes alemães, pomeranos e franceses que viviam em Pelotas passaram a cultivar frutas de clima temperado − principalmente o pêssego − na região colonial de Pelotas. Esta, e demais frutas, começaram a ser comercializadas ao natural e também na forma de doces, geléias, conservas e pastas.

    Logo, os processos que envolveram o açúcar e o sal foram complementares para o progresso econômico e cultural de Pelotas. Embora a indústria local de doces e conservas ainda não tenha recuperado o desenvolvimento registrado no município entre 1860 a 1890, esta é uma tradição a qual faz parte da formação da identidade histórica da cidade que continua sendo estimulada em grande escala.

    Muitas receitas portuguesas trazidas pelos colonizadores e pelos navios transportadores do charque ainda são utilizadas pelas doceiras pelotenses. As transformações e criações de novas guloseimas agregaram ainda mais qualidade e valor aos produtos.

    "Muito além do açúcar, dos ovos e da farinha, a arte de fazer o doce - e todo o universo geográfico, étnico e histórico tornam os doces de Pelotas considerados jóias a serem apreciadas pelos mais apurados paladares."